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Santo do dia · 07-19

Santo Arsênio, o Grande

Anacoreta · padre do deserto

Representação de Santo Arsênio, o Grande — autoria não registrada na fonte · Wikimedia Commons (domínio público)
autoria não registrada na fonte · Wikimedia Commons (domínio público) · ver no Commons

Arsênio nasceu em Roma, por volta do ano 350, em uma família cristã da nobreza senatorial. De grande cultura, versado nas letras gregas e latinas, recebeu de Deus o duplo dom de uma inteligência refinada e de um coração inclinado às coisas espirituais. Foi ordenado diácono, segundo a tradição pelo próprio Papa Dâmaso I, que o teria recomendado ao imperador.

Por volta de 383, o imperador Teodósio I chamou-o à corte de Constantinopla para que fosse preceptor de seus filhos, os futuros imperadores Arcádio e Honório. Arsênio permaneceu cerca de onze anos no palácio, cercado de honras, riqueza e influência. Mas, em meio ao fausto da corte, crescia nele o desejo de uma vida só para Deus. A tradição conta que, em oração, ouviu como resposta a um anseio interior as palavras que orientariam toda a sua vida: «Foge, cala-te, repousa em silêncio» (em latim, fuge, tace, quiesce).

Por volta do ano 400, Arsênio abandonou definitivamente Constantinopla e partiu para o deserto do Egito, juntando-se aos monges de Cete (Scetis), na região da Nítria, então o grande viveiro do monaquismo cristão. Ali, o antigo mestre de príncipes pediu humildemente para ser recebido como discípulo, submetendo-se à dura disciplina dos eremitas e aceitando correções como o último dos noviços. Tornou-se um dos mais venerados Padres do Deserto, célebre pelo amor extremo ao silêncio, à oração e à solidão, que considerava raízes da vida sem pecado.

Suas máximas e exemplos foram recolhidos no Apoftegmas dos Padres (Apophthegmata Patrum), coletânea do século V que reúne mais de cem sentenças atribuídas a ele. Buscado por monges e visitantes em busca de conselho, Arsênio guardava o silêncio quase como uma regra de vida, convencido de que o falar excessivo afasta a alma de Deus. Sua fama de santidade atravessou os séculos no Oriente e no Ocidente.

Quando incursões de povos do deserto tornaram inseguro o eremitério de Cete (por volta de 434), retirou-se para Troe, perto de Mênfis, e ali, depois de longa vida de penitência e oração, morreu por volta de 445, em idade muito avançada. A Igreja o celebra em 19 de julho (e em 8 de maio na tradição oriental). Sua figura permanece como um dos maiores mestres da vida contemplativa e do valor do silêncio.

Curiosidades

  • Antes de monge, foi preceptor dos filhos do imperador Teodósio, os futuros imperadores Arcádio e Honório, vivendo cerca de onze anos na corte de Constantinopla.
  • A tradição resume sua vocação na fórmula «fuge, tace, quiesce»«foge, cala-te, repousa em silêncio».
  • É um dos grandes Padres do Deserto; mais de cem de suas sentenças foram preservadas nos Apoftegmas dos Padres.
  • É venerado tanto pela Igreja Católica (19 de julho) quanto pela Igreja Ortodoxa (8 de maio), sinal de seu lugar na herança comum do monaquismo cristão.
  • Patronato: a tradição monástica o invoca como protetor dos monges e da vida eremítica e contemplativa, modelo de silêncio e oração.

Palavras & frases

  • «Muitas vezes me arrependi de ter falado; do silêncio, porém, nunca me arrependi.» (Apoftegmas dos Padres do Deserto)
  • «Foge, cala-te, repousa em silêncio.» (palavra recebida por Arsênio, Apoftegmas dos Padres)

Oração

Senhor, que conduzistes Santo Arsênio das honras da corte ao silêncio do deserto, ensinai-nos a fugir do que dispersa, a guardar o silêncio que escuta e a repousar somente em Vós, fonte de toda paz. Amém.

Também celebrados neste dia

  • São Símaco, papa
  • Santas Justa e Rufina, mártires de Sevilha
  • Santa Macrina, a Jovem
  • São Martinho de Trier

Lista conforme o Martirológio Romano e o calendário litúrgico (santoral).

Fonte: Britannica · Apophthegmata Patrum (Apoftegmas dos Padres do Deserto) · Wikipédia (Arsenius the Great)

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