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📖 Sabedoria

Capítulo 17

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1 Pois grandes são os teus juízos, Senhor, e inefáveis as tuas palavras; por isso erraram as almas indisciplinadas.

2 Pois, enquanto os ímpios julgavam poder dominar a nação santa, eles mesmos, acorrentados com os grilhões das trevas e de uma longa noite, fechados sob seus tetos, jaziam fugitivos da providência eterna.

3 E, enquanto pensavam ocultar-se em seus pecados secretos, foram dispersos sob o tenebroso véu do esquecimento, horrivelmente assustados e perturbados por excessivo espanto.

4 Pois nem a caverna que os abrigava os guardava sem temor, porque ruídos descendentes os perturbavam, e tristes vultos, aparecendo-lhes, lhes causavam pavor.

5 E nenhuma força do fogo podia oferecer-lhes luz, nem as límpidas chamas dos astros conseguiam iluminar aquela noite horrenda.

6 Aparecia-lhes, porém, um fogo súbito, cheio de pavor; e, abalados pelo medo daquele rosto que não se via, julgavam piores as coisas que viam.

7 E foram postos por terra os escárnios da arte mágica, e veio a humilhante reprovação da glória da sua sabedoria.

8 Pois aqueles que prometiam expulsar os medos e as perturbações da alma enferma, esses mesmos, dignos de escárnio, definhavam cheios de medo.

9 Pois, ainda que nenhum monstro os perturbasse, abalados pela passagem dos animais e pelo silvo das serpentes, pereciam tremendo, e negavam ver o ar, do qual por nenhum modo se poderia fugir.

10 Pois, sendo a maldade temerosa, ela dá testemunho da própria condenação; com efeito, a consciência perturbada sempre presume coisas atrozes.

11 Pois o medo nada mais é que a renúncia aos auxílios que vêm do pensamento.

12 E, quanto menor é a expectativa que vem de dentro, tanto maior julga o desconhecimento da causa de onde provém o tormento.

13 Eles, porém, que durante aquela noite verdadeiramente impotente, e sobrevinda das mais ínfimas e mais altas regiões infernais, dormiam um mesmo sono,

14 ora eram agitados pelo medo de monstros, ora desfaleciam pela perda dos sentidos; pois lhes sobreviera um medo súbito e inesperado.

15 Em seguida, se algum deles caía, ficava guardado, encerrado numa prisão sem ferros.

16 Pois, se alguém era camponês, ou pastor, ou trabalhador das lidas do campo, e era surpreendido, sofria uma necessidade inevitável;

17 porque todos estavam ligados por uma só cadeia de trevas. Fosse um vento que silvava, ou o doce som das aves entre os ramos espessos das árvores, ou a força impetuosa de uma água que se precipitava,

18 ou o forte estrondo de rochas que se precipitavam, ou a corrida invisível de animais que brincavam, ou a poderosa voz de feras que mugiam, ou o eco que ressoava dos mais altos montes: tudo isso os fazia desfalecer de medo.

19 Pois todo o orbe da terra era iluminado com uma luz límpida, e se mantinha em suas obras sem impedimento.

20 Somente sobre eles estava estendida uma noite pesada, imagem das trevas que haviam de sobrevir-lhes; eles, portanto, eram para si mesmos mais pesados que as trevas.

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📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.