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📖 Evangelho segundo São Marcos

Capítulo 14

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1 Faltavam dois dias para a Páscoa e para a festa dos pães ázimos. Os sumos sacerdotes e os escribas procuravam como prendê-lo à traição e matá-lo.

2 Mas diziam: «Não durante a festa, para que não haja um tumulto no povo.»

3 Estando ele em Betânia, na casa de Simão, o leproso, e reclinado à mesa, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com perfume de nardo puro, de grande valor; e, quebrando o alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele.

4 Ora, havia alguns que se indignavam entre si e diziam: «Para que se fez este desperdício de perfume?

5 Pois este perfume podia ser vendido por mais de trezentos denários e dado aos pobres.» E murmuravam contra ela.

6 Jesus, porém, disse: «Deixai-a. Por que a importunais? Ela praticou uma boa obra em mim.

7 Pois sempre tendes os pobres convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes o bem; a mim, porém, nem sempre me tendes.

8 Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.

9 Em verdade vos digo: onde quer que for pregado este Evangelho, no mundo inteiro, também o que ela fez será contado em sua memória.»

10 E Judas Iscariotes, um dos doze, foi até os sumos sacerdotes para entregá-lo a eles.

11 Ao ouvi-lo, eles se alegraram e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava como o entregar em ocasião oportuna.

12 No primeiro dia dos ázimos, quando imolavam a Páscoa, os discípulos lhe disseram: «Aonde queres que vamos preparar para comeres a Páscoa?»

13 E enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem carregando um cântaro de água; segui-o,

14 e, onde quer que entrar, dizei ao dono da casa: ‹O Mestre diz: Onde está a minha sala, em que eu coma a Páscoa com os meus discípulos?›

15 E ele vos mostrará uma grande sala no andar de cima, mobiliada; e ali preparai para nós.»

16 Partiram os seus discípulos e foram à cidade; e encontraram como ele lhes dissera, e prepararam a Páscoa.

17 Chegada a tarde, veio com os doze.

18 Estando eles reclinados à mesa e comendo, disse Jesus: «Em verdade vos digo: um de vós, que come comigo, há de me entregar.»

19 Eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um por um: «Porventura sou eu?»

20 Ele lhes disse: «É um dos doze, que comigo mete a mão no prato.

21 O Filho do homem, na verdade, vai como está escrito a seu respeito; mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é entregue! Melhor lhe fora não ter nascido aquele homem.»

22 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, partiu-o, deu-lho e disse: «Tomai, isto é o meu corpo.»

23 E, tomando o cálice, dando graças, deu-lho; e todos beberam dele.

24 E disse-lhes: «Este é o meu sangue do novo testamento, que será derramado por muitos.

25 Em verdade vos digo que já não beberei do fruto da videira até aquele dia em que o beberei, novo, no Reino de Deus.»

26 E, cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras.

27 E disse-lhes Jesus: «Todos vós vos escandalizareis por minha causa nesta noite, pois está escrito: ‹Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.›

28 Mas, depois que eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galileia.»

29 Pedro, porém, disse-lhe: «Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu, porém, não.»

30 E disse-lhe Jesus: «Em verdade te digo que tu, hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás.»

31 Mas ele falava com mais insistência: «Ainda que eu tenha de morrer contigo, não te negarei.» E do mesmo modo diziam também todos.

32 E chegam a uma propriedade chamada Getsêmani. E disse aos seus discípulos: «Sentai-vos aqui, enquanto eu oro.»

33 E toma consigo a Pedro, a Tiago e a João; e começou a sentir pavor e angústia.

34 E disse-lhes: «Triste está a minha alma até a morte; ficai aqui e vigiai.»

35 E, tendo avançado um pouco, prostrou-se por terra e orava para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.

36 E disse: «Abá, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; mas não o que eu quero, e sim o que tu queres.»

37 E veio e encontrou-os dormindo. E disse a Pedro: «Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma só hora?

38 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.»

39 E, indo de novo, orou, dizendo as mesmas palavras.

40 E, voltando, encontrou-os de novo dormindo (pois os seus olhos estavam pesados), e não sabiam o que lhe responder.

41 E veio pela terceira vez e disse-lhes: «Dormi agora e descansai. Basta; chegou a hora; eis que o Filho do homem é entregue nas mãos dos pecadores.

42 Levantai-vos, vamos; eis que está perto aquele que me entregará.»

43 E, falando ele ainda, chegou Judas Iscariotes, um dos doze, e com ele uma grande multidão com espadas e paus, vinda da parte dos sumos sacerdotes, dos escribas e dos anciãos.

44 O traidor lhes dera um sinal, dizendo: «Aquele que eu beijar, é ele; prendei-o e levai-o com cautela.»

45 E, tendo chegado, aproximando-se logo dele, disse: «Salve, Rabi!» E beijou-o.

46 E eles lançaram as mãos sobre ele e o prenderam.

47 Mas um dos que ali estavam, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha.

48 E, respondendo, Jesus disse-lhes: «Como contra um ladrão saístes, com espadas e paus, para me prender?

49 Diariamente eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes. Mas é para que se cumpram as Escrituras.»

50 Então os seus discípulos, abandonando-o, todos fugiram.

51 Ora, um certo jovem o seguia, envolto num lençol sobre o corpo nu; e o prenderam.

52 Mas ele, largando o lençol, fugiu deles nu.

53 E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e reuniram-se todos os sacerdotes, os escribas e os anciãos.

54 Pedro, porém, seguiu-o de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote; e estava sentado com os servidores junto ao fogo, aquecendo-se.

55 Os sumos sacerdotes e todo o conselho procuravam um testemunho contra Jesus para o entregarem à morte; e não o encontravam.

56 Pois muitos diziam falso testemunho contra ele; mas os testemunhos não concordavam.

57 E alguns, levantando-se, davam falso testemunho contra ele, dizendo:

58 «Nós o ouvimos dizer: ‹Eu destruirei este templo feito por mãos e, em três dias, edificarei outro não feito por mãos.›»

59 E nem assim era concordante o testemunho deles.

60 E, levantando-se o sumo sacerdote no meio, interrogou Jesus, dizendo: «Não respondes nada ao que estes depõem contra ti?»

61 Ele, porém, calava-se e nada respondeu. De novo o sumo sacerdote o interrogava e disse-lhe: «És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito?»

62 E Jesus disse-lhe: «Eu sou; e vereis o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus e vindo com as nuvens do céu.»

63 Então o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: «Para que precisamos ainda de testemunhas?

64 Ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?» E todos eles o condenaram como réu de morte.

65 E alguns começaram a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a esbofeteá-lo e a dizer-lhe: «Profetiza!» E os servidores davam-lhe bofetadas.

66 E, estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote;

67 e, tendo visto Pedro aquecendo-se, fixando o olhar nele, disse: «Também tu estavas com Jesus Nazareno.»

68 Mas ele negou, dizendo: «Nem sei, nem entendo o que dizes.» E saiu para fora, diante do pátio; e o galo cantou.

69 De novo, porém, tendo-o visto a criada, começou a dizer aos que ali estavam: «Este é um deles.»

70 Mas ele negou outra vez. E, pouco depois, de novo os que ali estavam diziam a Pedro: «Verdadeiramente és um deles, pois também és galileu.»

71 Mas ele começou a lançar maldições sobre si e a jurar: «Não conheço esse homem de quem falais.»

72 E logo o galo cantou pela segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe dissera: «Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás.» E começou a chorar.

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📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.