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📖 Isaías

Capítulo 30

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1 «Ai dos filhos rebeldes», diz o Senhor, «que tomastes um plano, mas não veio de mim, e tecestes uma tela, mas não foi pelo meu espírito, para acrescentardes pecado sobre pecado;

2 que andais para descer ao Egito, e não consultastes a minha boca, esperando socorro na força do faraó e tendo confiança na sombra do Egito!

3 Por isso, a força do faraó vos será para confusão, e a confiança na sombra do Egito, para ignomínia.

4 Pois os teus príncipes estavam em Tânis, e os teus mensageiros chegaram até Hanes.

5 Todos ficaram envergonhados por causa de um povo que não lhes pôde aproveitar: não serviram de auxílio nem de qualquer proveito, mas de confusão e de opróbrio.

6 Oráculo sobre os animais de carga do Negueb. Por uma terra de tribulação e de angústia, de onde vêm a leoa e o leão, a víbora e o basilisco voador, eles levam sobre os ombros das bestas as suas riquezas, e sobre a corcova dos camelos os seus tesouros, a um povo que não lhes poderá aproveitar.

7 Pois o Egito socorrerá em vão e inutilmente. Por isso clamei a respeito disto: «É apenas soberba; fica quieto.»

8 Agora, pois, vai, escreve-o para eles numa tabuinha e grava-o cuidadosamente num livro, e isto será, no dia derradeiro, em testemunho para sempre.

9 Pois é um povo que provoca à ira, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei de Deus;

10 que dizem aos videntes: «Não vejais», e aos que contemplam: «Não contempleis para nós o que é reto; falai-nos coisas agradáveis, vede para nós ilusões.

11 Tirai de mim o caminho, desviai de mim a vereda; cesse de diante de nós o Santo de Israel.»

12 Por isso, assim diz o Santo de Israel: «Visto que rejeitastes esta palavra e esperastes na opressão e no tumulto, e nisso vos apoiastes,

13 por isso esta iniquidade vos será como uma brecha que se abre e ameaça ruína num muro alto, cuja queda virá de repente, quando menos se espera.

14 E será despedaçada como se quebra a bilha do oleiro num esmagamento violento, e dos seus fragmentos não se achará um caco em que se leve um pouco de fogo da fogueira, ou se tire um pouco de água da cisterna.»

15 Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: «Se vos converterdes e ficardes tranquilos, sereis salvos; no silêncio e na esperança estará a vossa força.» E não quisestes,

16 e dissestes: «De modo nenhum, mas fugiremos a cavalo»; por isso fugireis; e: «Montaremos sobre os velozes»; por isso serão mais velozes os que vos perseguirão.

17 Mil homens fugirão diante da ameaça de um só; e diante da ameaça de cinco fugireis, até que sejais deixados como o mastro de um navio no cimo de um monte, e como um estandarte sobre uma colina.

18 Por isso o Senhor aguarda para se compadecer de vós; e por isso se erguerá para vos poupar, porque o Senhor é o Deus do juízo: bem-aventurados todos os que o esperam!

19 Pois o povo de Sião habitará em Jerusalém: chorando, não chorarás mais; ele certamente se compadecerá de ti à voz do teu clamor; logo que ouvir, te responderá.

20 E o Senhor vos dará o pão da angústia e a água escassa; e não fará que o teu mestre se afaste mais de ti, e os teus olhos verão o teu preceptor.

21 E os teus ouvidos ouvirão a palavra de quem te adverte por detrás: «Este é o caminho; andai por ele, e não vos desvieis nem para a direita nem para a esquerda.»

22 E profanarás as lâminas das tuas imagens esculpidas de prata e a cobertura das tuas estátuas fundidas de ouro, e as lançarás fora como imundície menstrual. Dir-lhe-ás: «Sai daqui.»

23 E será dada chuva à tua semente, onde quer que semeares na terra, e o pão dos frutos da terra será abundantíssimo e farto; naquele dia o cordeiro pastará espaçosamente na tua propriedade,

24 e os teus bois e os jumentos que lavram a terra comerão um pasto temperado, tal como foi joeirado na eira.

25 E haverá sobre todo o monte elevado e sobre toda a colina alta ribeiros de águas correntes, no dia da matança de muitos, quando caírem as torres.

26 E a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor ligar a ferida do seu povo e curar a chaga do seu golpe.

27 Eis que o nome do Senhor vem de longe, ardendo o seu furor e pesado de suportar; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como fogo devorador.

28 O seu sopro é como uma torrente que transborda até ao meio do pescoço, para reduzir as nações a nada e para pôr o freio do erro que estava nas mandíbulas dos povos.

29 O cântico será para vós como na noite da solenidade santificada, e a alegria do coração como a de quem caminha ao som da flauta, para entrar no monte do Senhor, junto do Forte de Israel.

30 E o Senhor fará ouvir a glória da sua voz e mostrará o terror do seu braço na ameaça do furor e na chama do fogo devorador: esmagará na tempestade e no granizo.

31 Pois à voz do Senhor a Assíria se aterrará, ferida com a vara.

32 E a passagem da vara firmada, que o Senhor fará descansar sobre ele, será ao som de tímpanos e cítaras; e em batalhas renhidas os combaterá.

33 Pois desde ontem está preparado o Tofet, preparado pelo rei, profundo e largo. O seu combustível é fogo e muita lenha; o sopro do Senhor, como uma torrente de enxofre, o acende.

📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.