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📖 Eclesiástico

Capítulo 27

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1 Por causa da pobreza, muitos pecaram; e quem busca enriquecer desvia o seu olhar.

2 Assim como uma estaca se finca no meio da junção das pedras, assim também, entre a venda e a compra, o pecado se aperta:

3 o delito será esmagado junto com o que peca.

4 Se não te mantiveres firme e constante no temor do Senhor, depressa será derrubada a tua casa.

5 Como no sacudir do crivo fica o pó, assim a perplexidade do homem se mostra no seu pensar.

6 A fornalha prova os vasos do oleiro, e a prova da tribulação prova os homens justos.

7 Como o cultivo da árvore mostra o seu fruto, assim a palavra revela o pensamento do coração do homem.

8 Não louves o homem antes que ele fale, pois esta é a prova dos homens.

9 Se seguires a justiça, hás de alcançá-la, e a vestirás como uma túnica de honra; habitarás com ela, e ela te protegerá para sempre, e no dia do reconhecimento encontrarás firme apoio.

10 As aves reúnem-se com as suas semelhantes; assim a verdade volta para aqueles que a praticam.

11 O leão sempre arma cilada à presa; assim fazem os pecados aos que praticam iniquidades.

12 O homem santo permanece na sabedoria como o sol; mas o tolo muda como a lua.

13 No meio dos insensatos, guarda a palavra para o tempo oportuno; mas no meio dos que pensam, permanece assíduo.

14 A conversa dos pecadores é odiosa, e o riso deles está nas delícias do pecado.

15 A fala que muito jura faz arrepiar os cabelos da cabeça, e a sua irreverência faz tapar os ouvidos.

16 Nas brigas dos soberbos há derramamento de sangue, e a maldição deles é penosa de ouvir.

17 Quem revela os segredos do amigo perde a sua confiança, e não encontrará amigo a seu gosto.

18 Ama o teu próximo e une-te a ele com fidelidade.

19 Mas, se revelares os seus segredos, não corras mais atrás dele.

20 Pois, como o homem que perde o seu amigo, assim é também aquele que destrói a amizade do seu próximo.

21 E, como quem solta a ave da sua mão, assim deixaste partir o teu próximo, e não o recuperarás.

22 Não vás atrás dele, porque está longe; pois fugiu como a corça da armadilha, porque a sua alma foi ferida:

23 não poderás mais atá-lo. E ainda da maldição há reconciliação;

24 mas revelar os segredos de um amigo é desespero para a alma infeliz.

25 Quem pisca o olho maquina iniquidades, e ninguém o afastará.

26 Diante dos teus olhos adoçará a sua boca e admirará as tuas palavras; mas, por fim, distorcerá a boca e nas tuas palavras armará escândalo.

27 Muitas coisas odiei, mas a nenhuma igualei a ele, e o Senhor o odiará.

28 Quem lança a pedra para o alto, sobre a sua cabeça ela cairá; e o golpe traiçoeiro abrirá as feridas do traidor.

29 E quem cava uma fossa cairá nela; quem coloca uma pedra para o próximo nela tropeçará; e quem arma um laço para outro nele perecerá.

30 Sobre quem trama um conselho maligno ele recairá, e não saberá de onde lhe vem.

31 O escárnio e o ultraje são próprios dos soberbos, e a vingança como leão lhe armará cilada.

32 Perecerão no laço os que se deleitam com a queda dos justos, e a dor os consumirá antes que morram.

33 A ira e o furor, ambos são execráveis, e o homem pecador estará sujeito a eles.

📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.