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📖 Cântico dos Cânticos

Capítulo 5

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1 Venha o meu amado ao seu jardim e coma o fruto das suas macieiras. «Vim ao meu jardim, minha irmã, esposa; colhi a minha mirra com os meus aromas; comi o favo com o meu mel; bebi o meu vinho com o meu leite. Comei, amigos, e bebei, e embriagai-vos, ó caríssimos!»

2 Eu durmo, mas o meu coração vela. A voz do meu amado que bate: «Abre-me, minha irmã, minha amiga, minha pomba, minha imaculada, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, e os meus cachos, das gotas das noites.»

3 Despi a minha túnica: como tornarei a vesti-la? Lavei os meus pés: como tornarei a sujá-los?

4 O meu amado meteu a mão pela abertura, e as minhas entranhas estremeceram ao seu toque.

5 Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos gotejaram mirra, e os meus dedos ficaram cheios da mirra mais fina.

6 Abri ao meu amado o ferrolho da minha porta, mas ele se desviara e passara adiante. A minha alma desfaleceu quando ele falou; procurei-o, e não o encontrei; chamei-o, e não me respondeu.

7 Encontraram-me os guardas que rondam a cidade; bateram-me e feriram-me. Os guardas das muralhas tiraram-me o meu manto.

8 Conjuro-vos, filhas de Jerusalém: se encontrardes o meu amado, anunciai-lhe que desfaleço de amor.

9 Que tem o teu amado mais que outro amado, ó mais bela das mulheres? Que tem o teu amado mais que outro amado, para assim nos conjurares?

10 O meu amado é branco e corado, escolhido entre milhares.

11 A sua cabeça é ouro puríssimo; os seus cabelos são como ramos de palmeira, negros como o corvo.

12 Os seus olhos são como pombas junto a regatos de águas, que se lavaram no leite e repousam à beira de correntes abundantíssimas.

13 As suas faces são como canteiros de aromas plantados pelos perfumistas. Os seus lábios são lírios que destilam a mirra mais fina.

14 As suas mãos são torneadas, de ouro, cheias de jacintos. O seu ventre é de marfim, adornado de safiras.

15 As suas pernas são colunas de mármore assentadas sobre bases de ouro. O seu aspecto é como o do Líbano, eleito como os cedros.

16 A sua garganta é suavíssima, e ele é todo desejável. Tal é o meu amado, e ele é o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.

17 Para onde foi o teu amado, ó mais bela das mulheres? Para onde se desviou o teu amado? E nós o buscaremos contigo.

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📚 Tradução Flamma Cordis (português moderno), a partir da Vulgata Clementina (domínio público), cotejada com fontes católicas. Leitura/estudo — sem imprimatur.