Um pouco das minhas ideias sobre o Celibato!
Um assunto que tem chamado muita atenção nos bastidores da Igreja Católica, recentemente, é o celibato. Afinal, deve-se liberar o casamento para os padres em nome do mundo e de suas mudanças, ou a Igreja deve permanecer fiel à sua Tradição e ao exemplo de Cristo? Como entender isso melhor?
A resposta não está apenas em conceitos teóricos, embora a teologia muito tenha afirmado e defendido ambos os lados. A verdade é que a entrega total e irrestrita a Cristo não deveria ser dividida com o casamento, visto que o matrimônio também exige uma entrega total e irrestrita. Afinal, o cerne do matrimônio consiste em ser “uma só carne”, ou seja, viver como se fossem um. Isso soa familiar para quem costuma ler a Bíblia, não é mesmo? Esta união está intrinsecamente ligada, como um elo, a uma aliança indissolúvel dos mistérios de Deus na vida do homem.
Pois bem, como entender que o mundo moderno, que prega uma felicidade superficial a qualquer custo, possa compreender essa profundidade sem questionar? A verdade é que aqueles que pensam ser esta Terra um lugar de felicidade eterna precisam aprender que nada aqui dura para sempre, a não ser os elos eternos com o Céu — pois “tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu”. É isto que precisamos compreender, algo que a nossa sociedade de consumo raramente consegue entender.
Falando em negócios e marketing, essa mentalidade consumista começou a se desenhar na Revolução Industrial. Antes, os produtos eram escassos e feitos para durar; após o surgimento das máquinas e a grande oferta de mercadorias, criou-se a lógica dos prazos de validade para que as empresas pudessem vender mais, de forma rápida e contínua. O marketing transformou isso em consumismo, e hoje vivemos em uma sociedade que aprendeu que, quando algo termina ou quebra, basta buscar um novo.
Nota: Essa lógica, contudo, jamais pode ser aplicada quando tratamos de seres humanos, criados para a eternidade. Nós temos uma lei especial que nos rege e alimenta nesta passagem terrena, lembrando-nos a todo momento de que não somos daqui. Para nós, está reservado um lugar especial ao lado de Deus, onde seremos eternos. Para isso, Deus, em sua sabedoria, selou em nossa alma alguns sinais da eternidade: os Dez Mandamentos, a lei do amor de Cristo e a Sua Igreja.
Da parte da Igreja, temos os Sacramentos como sinais do eterno em nossa vida. Eles nos mostram o que realmente permanecerá em nós depois do fim do nosso caminho. Começamos nossa vida cristã pelo Batismo; depois, aprendemos na catequese o valor da Eucaristia e nos preparamos para recebê-la dignamente. Quando estamos prontos, em comunhão com o Céu, damos o nosso "sim" definitivo a Cristo na Crisma. Com a Confirmação, testemunhamos a nossa fé, afirmando a Deus e aos homens que pertencemos a outro mundo, que estamos aqui de passagem e que seremos setas apontando para a eternidade.
Deste modo, estamos aptos a caminhar por estradas cheias de escolhas difíceis, nas quais devemos provar nossa capacidade de amar a Deus como o bem único e substancial de nossas vidas. Para isso, Ele não nos deixa sozinhos: pede que sigamos a santidade nesta terra por duas vias principais: o Matrimônio ou o Sacerdócio.
Na primeira, escolhemos ter uma companheira — como foi com Adão — com a finalidade de formarmos uma família, criarmos nossos filhos e inseri-los no caminho da santidade através dos Sacramentos. O Sacerdócio, ao contrário do que muitos pensam, não é um caminho solitário, mas uma entrega tamanha a Cristo e à Igreja que o próprio Deus confia ao escolhido um rebanho inteiro de filhos espirituais, para que ele os conduza à salvação. Isso torna fácil compreender como o Matrimônio e o Sacerdócio estão ligados: suas missões se distinguem no modo, mas o resultado é o mesmo: levar as pessoas a Cristo.
Agora, fica claro o ponto central: a fidelidade à missão confiada. No matrimônio, o noivo recebe a esposa como sinal de pureza e amor, para respeitá-la, ser-lhe fiel e protegê-la. Pelo matrimônio, marido e mulher se entregam um ao outro a ponto de se tornarem uma só carne, tão unidos que se torna impossível separá-los. Nessa união indissolúvel, geram filhos e tornam-se os primeiros responsáveis por iniciá-los na fé. É pelos pais que temos a primeira visão de Cristo e da Igreja neste mundo.
O sacerdote, da mesma forma, consagrado e ungido pelas mãos do Bispo, torna-se um com o Mestre. Como diz o Apóstolo Paulo: "Já não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim". É por isso que o celibato é essencial. O padre, embora visto pelo mundo como um homem comum, age na pessoa do próprio Cristo (in persona Christi) quando consagra o pão, perdoa os pecados na confissão ou entrega uma alma a Deus na Unção dos Enfermos.
Seria contraditório que o homem que consagrou sua vida inteira a Deus estivesse, ao mesmo tempo, entregue ao matrimônio. Ele não seria exclusivamente de Deus a ponto de viver plenamente as palavras de São Paulo. Ele deve estar tão unido a Cristo que dentro dele não pode haver divisão ou dupla missão. Que o seu "sim" seja sim, e o seu "não", não. O meio-termo é enganador; causaria uma divisão no coração do sacerdote quando uma alma, implorando pelo Céu, precisasse de sua presença imediata.
Ser sacerdote é ser entrega total, irrestrita e sem divisões. É buscar a santidade para ser luz da luz verdadeira e direção para o caminho que é Cristo. Por isso, a Igreja mantém o celibato como um dom precioso: porque ele reflete uma união indivisível com Deus. E sabemos que Deus não quer nada pela metade; Ele se entregou por inteiro, doando até a última gota de seu precioso sangue para nos dar a salvação completa. Quando Deus age, Ele o faz por inteiro.
Fiquem com Deus,
Sem Deus, tudo perde a graça!